quarta-feira, 19 de maio de 2010

A imagem e a pressa

(Rafael Ascenção - Jun.09)


O silêncio era quebrado apenas pelo som dos teclados frenéticos. Tudo parecia igual a noite anterior e a utilidade mórbida das muitas interfaces digitais parecia mais uma vez me conduzir ao escravismo da imagem, ao ininterrupto mercado de valores que não são valores, ao nada...
Muito me perguntei outrora sobre o magnetismo da imagem, a ação dela nas minhas atitudes, a forma desprendida com a qual lidei com ela. Até me condenei por amar imagens, fazer delas um resumo do que sou sem entender o que se escondia por dentro de cada uma. Tudo isso para chegar a uma única conclusão.
A imagem é apenas um retrato editado daquilo que somos ou daquilo que queremos ser. Escolhemos o lugar, a posição, a luz e, por conseguinte, a mensagem que vamos passar de forma quase subconsciente. Há quem faça uso do máximo de realidade para se descrever em um quadro vazio, num desses álbuns eletrônicos de perfis perfilados em páginas de relacionamento. Há quem disfarce sua face na interface, mais que isso, distorça seus atos, seus passos, sua vida e tente defini-la em uma dezena de fotos como quem diz: Este sou eu, este é meu mundo, é assim que vivo, me ame! Sou transparente!... será!?
Quando me dei conta do vazio contido no nada pude ver o quão importante é um olhar, um toque e por que não a rotina?
Dar valor as imagens é quase uma regra nos dias de hoje. Vivemos em função da pressa, do trabalho, das tarefas inúteis que consideramos úteis, sempre esquecendo de parar para pensar, observar e ser observado, mudar o que deve ser mudado em nós e nas pessoas que amamos...
O que espero é que a pressa não defina seu próximo passo aqui, agora. 



Um beijo.







Nenhum comentário:

Postar um comentário